PRÁTICAS MUSICAIS E CULTURA POPULAR NO 25 DE ABRIL DE 1974 | PALESTRA

No dia 2 de Maio, Soraia Simões esteve na Escola Secundária Leal da Câmara para falar acerca da cultura popular no geral, a música popular em concreto, enquanto produto da cultura e da história, sendo inevitável que em períodos marcantes da história do país vários acontecimentos se expressem e difundam em vários sectores da sociedade tendo a música, o teatro ou o cinema como canais.

Neste encontro, a investigadora e autora fez um percurso acerca da música de intervenção e os seus principais protagonistas (José Mário Branco, Sérgio Godinho, José Afonso e Luís Cilia), enquadrando o contexto político e social que se viveu entre 1961 e 1975. Referiu os repertórios destes autores e o conjunto de entrevistas que tem vindo a realizar no seu projecto e associação Mural Sonoro, procurando demonstrar o papel protagonizado por estes agentes na relação com a comunidade portuguesa, politizada e não politizada, tornando-se também por isso actores da revolução operada e um veículo de transmissão de temas e/ou questões que fizeram parte da história recente, como sejam a Guerra Colonial, as «bolsas» criadas entre si de resistência à censura e à ditadura, o 25 de Abril ou o PREC e a libertação das ex-colónias. Numa relação com a contemporaneidade e com o seu mais recente projecto RAPortugal 1986-1999, Soraia Simões chama a atenção para as afinidades entre estes autores e os primeiros protagonistas do Rap em Portugal — General D e Chullage.

CRISE ECONÓMICA EM PORTUGAL NO FINAL DE OITOCENTOS | PALESTRA

A sessão dedica-se a caracterizar a estrutura económica portuguesa na segunda metade de Oitocentos, no que toca ao desenvolvimento da agricultura, culturas de maior crescimento no mercado interno e no espaço externo, a intervenção do Estado no sector agrícola, a revisão alfandegária de 1892 e o respectivo impacto. Explicita-se o crescimento da indústria em Portugal na segunda metade do séc. XIX segundo condicionantes ao desenvolvimento industrial português, os domínios de expansão e os mercados preferenciais da indústria nacional.

Enquadra-se o comércio externo português na segunda metade do séc. XIX, caracterizando a balança comercial do país entre 1851 e 1890 e as tendências predominantes.

Caracteriza-se também a evolução das finanças públicas portuguesas na segunda metade do séc. XIX: o modelo fontista e as fontes de financiamento do Estado Português. A Crise de 1876, as suas causas e consequências.

Define-se ainda a Crise Económica de 1891-1893, procurando compreender o que distingue a crise económica da crise financeira. Caracterizam-se as dificuldades financeiras do Estado Português no início da década de 90 do séc. XIX: as causas próximas da Crise, a crise portuguesa e a crise das economias europeias em finais do séc. XIX

Enquadra-se o regresso ao proteccionismo nas dinâmicas entres os Estados Europeus e os países do Novo Mundo, as políticas de recuperação financeira do Estado Português: da bancarrota parcial do estado, em 1892, ao Convénio com os credores estrangeiros, em 1902 e o impacto da Crise na economia portuguesa nos primórdios do séc. XX.

Portugal na Europa e Portugal em África: as consequências da crise na projecção geopolítica portuguesa no contexto europeu e no espaço africano

Teresa Nunes

Professora auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, directora da licenciatura em Estudos Europeus, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, investigadora do Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e membro do Colégio Food, Farming and Forestry da Universidade de Lisboa (Conselho Coordenador e Linha 3 formação avançada). Doutorou-se em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com uma dissertação O Ideário Republicano de Ezequiel de Campos (1900-1919).

Publicou os livros: Fontes Pereira de Melo, Lisboa, Planeta DeAgostini, 2005, Maria da Fonte e Patuleia (1846-1847), Batalhas da História de Portugal, vol 16, Porto, Academia Portuguesa de História/QuidNovi, 2006 (2ª edição em 2007), Carlos Malheiro Dias. Um Monárquico entre dois regimes, Lisboa, Centro de História/Caleidoscópio, 2009, D. Carlos, Reis de Portugal, vol. 33, Porto, Academia Portuguesa de História/Quid Novi, 2010, D. Amélia de Orleães, Rainhas e Princesas de Portugal, nº 12, Porto, Academia Portuguesa de História/Quid Novi, 2011 e, em co-autoria, António Granjo. República e Liberdade, Colecção Parlamento, Lisboa, Assembleia da República, 2012. Com colaboração em obras colectivas: Os Anos de Salazar (2008), Dicionário dos Historiadores Portugueses, dir. por Sérgio Campos Matos, Dicionário de História da I República e do Republicanismo, dir. por Maria Fernanda Rollo.

A Regeneração (1851-1868) e a Monarquia Constitucional | Palestra

A Regeneração foi a denominação dada ao período da história da Monarquia Constitucional Portuguesa compreendido entre 1851 e 1868, que teve origem no golpe militar orientado pelo Duque de Saldanha, João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun (1790-1876). Este golpe, perpretado essencialmente contra o Cabralismo, inaugurou um período de estabilidade política e de consenso nacional, durante o qual se procederam a diversas reformas políticas, em especial relativas à Carta Constitucional, bem como económicas, numa clara aposta de uma política de obras públicas que permitisse o crescimento económico, a par do desenvolvimento europeu que então se verificava.

Pedro Urbano

Concluiu a licenciatura em História na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa em 2001. Em 2006 obteve o grau de mestre pela mesma Universidade com a dissertação A Casa Palmela e o desafio Liberal: estratégias de Afirmação, publicada pela Livros Horizonte em 2008.

Em 2014 obteve o grau de Doutor, também na mesma Universidade, com a tese financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia intitulada “Nos bastidores da Corte”: O Rei e a Casa Real na crise da Monarquia – 1889-1908, trabalho que venceu a 23ª edição do Prémio Victor Sá de História Contemporânea da Universidade do Minho.

É investigador do Instituto de História Contemporânea (UNL) e do Centro de Estudos Clássicos (FLUL). Participou, como bolseiro, em vários projectos de investigação da Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Évora e ISCTE, no qual se destaca o Portuguese Women Writers, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Participou em diversos encontros da COST Action IS0901 Women Writers in History e da COST Action IS1310 Reassembling the Republic of Letters, 1500-1800. Foi  membro da acção integrada Luso-alemã Redes culturais femininas entre Portugal e a Alemanha, financiada pela FCT e participante no projecto Site das Escritoras, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

As suas áreas de investigação têm sido as elites portuguesas durante a Monarquia Constitucional, tendo-se interessado mais recentemente pelo estudo da produção textual feminina ao longo de todo o século XIX. Apresenta regularmente o resultado das suas investigações em colóquios, quer em Portugal, quer no estrangeiro, tendo publicado vários artigos.

Presentemente, é professor de História de Portugal na Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich.

Descolonização: a que se fez e a que ficou por fazer | Palestra

26 de janeiro de 2017 | 18h30 | Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos 

Procurar-se-á nesta palestra apresentar um quadro geral das condições políticas e sociais da descolonização portuguesa em 1974-75, esclarecendo as razões que levaram à sua concretização tardia (por comparação com a das outras formações imperiais europeias) e discutir até que ponto a descolonização física/territorial foi ou não acompanhada por um repensar da maneira como Portugal e os portugueses olham para o seu legado imperial e se relacionam com os países entretanto tornados independentes.

Pedro Aires Oliveira é Professor no Departamento de História da FCSH, investigador no IHC e, desde Dezembro de 2015, seu director. Tem vários livros e artigos publicados sobre temas de História Contemporânea, com especial incidência nas áreas da Relações Externas portuguesas e na história do colonialismo e da descolonização. Dos seus últimos títulos destacam-se a História da Expansão e do Império Português (Esfera dos Livros, 2014), em co-autoria com João Paulo Oliveira e Costa e José Damião Rodrigues, e O Adeus ao Império. 40 Anos de Descolonização Portuguesa (Nova Vega, 2015), co-editado com Fernando Rosas e Mário Machaqueiro.

O trabalho feminino e a proteção social em Portugal (1890-1940) | Palestra

Terá lugar no próximo dia 16 de janeiro na Biblioteca Escolar Pedro Nunes a palestra O trabalho feminino e a proteção social em Portugal (1890-1940), por Virgínia Baptista, investigadora no IHC.

Esta apresentação tem como tema o trabalho das mulheres e a proteção materno-infantil, em Portugal, desde finais da Monarquia até ao início do Estado Novo.

Pretende-se debater várias questões. Em primeiro lugar impõe-se a pergunta: – As mulheres sempre trabalharam? Com base nos Recenseamentos Gerais da População, as fontes que estudámos, analisaremos a evolução do trabalho feminino, em Portugal, durante estes 50 anos. Qual foi a visão política e social que predominou sobre o trabalho das mulheres?

As mulheres trabalhadoras casaram e constituíram famílias.  A que locais podiam as mulheres das classes populares recorrer na altura dos seus partos? Que instituições cuidavam das crianças ainda pequenas durante o horário de trabalho das mães fora de casa?

Em épocas históricas em que a segurança social não abrangia toda a população, como na atualidade, temos por objetivo debater e articular o trabalho das mulheres e a proteção social materno-infantil, então disponível.

Amadeo de Souza Cardoso e o Primeiro Modernismo | Palestra

Teve lugar no dia 10 de janeiro de 2017 a palestra Amadeo de Souza Cardoso e o Primeiro Modernismo, pelo Doutor Carlos Silveira (IHA-FCSH/UNL), na Escola Secundária du Bocage.

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) é hoje considerado um dos maiores artistas portugueses de sempre, construindo em poucos anos uma carreira que passou pelas principais capitais da arte do século XX: Paris, Berlim e Nova Iorque. Um dos traços mais importantes da sua obra foi a audácia com que desafiou a tradição e assimilou os estilos artísticos mais avançados do seu tempo. Na verdade, Amadeo levou muito longe um dos valores mais prezados do modernismo, como declarou celebremente a um jornal: “As escolas morreram. Nós, os novos, só procuramos agora a originalidade.” Inventou assim uma pintura que nos aparece hoje, lembrando o título de uma das melhores exposições recentes da sua obra, como um espantoso diálogo das vanguardas do início do século XX. Mas a sua carreira fulgurante e promissora irá sofrer com o impacto de um evento que marcou toda uma geração: a Grande Guerra de 1914-1918.

Cem anos da Revolução de Outubro | Programa para Escolas e Bibliotecas

O presente programa pretende assinalar o centenário da Revolução de Outubro de 1917, alargando os conhecimentos dos participantes acerca deste acontecimento e analisar o impacto da revolução russa na sociedade portuguesa.

Integrando a missão de abertura e responsabilidade do Instituto de História Contemporânea, através do Laboratório de História, propõe-se um programa dedicado ao público em geral que permita abranger a comunidade escolar e a sociedade em geral, fundado na partilha e debate.

 

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