Práticas musicais e cultura popular no 25 de Abril de 1974 | Palestra

No dia 2 de Maio, Soraia Simões esteve na Escola Secundária Leal da Câmara para falar acerca da cultura popular no geral, a música popular em concreto, enquanto produto da cultura e da história, sendo inevitável que em períodos marcantes da história do país vários acontecimentos se expressem e difundam em vários sectores da sociedade tendo a música, o teatro ou o cinema como canais.

Neste encontro, a investigadora e autora fez um percurso acerca da música de intervenção e os seus principais protagonistas (José Mário Branco, Sérgio Godinho, José Afonso e Luís Cilia), enquadrando o contexto político e social que se viveu entre 1961 e 1975. Referiu os repertórios destes autores e o conjunto de entrevistas que tem vindo a realizar no seu projecto e associação Mural Sonoro, procurando demonstrar o papel protagonizado por estes agentes na relação com a comunidade portuguesa, politizada e não politizada, tornando-se também por isso actores da revolução operada e um veículo de transmissão de temas e/ou questões que fizeram parte da história recente, como sejam a Guerra Colonial, as «bolsas» criadas entre si de resistência à censura e à ditadura, o 25 de Abril ou o PREC e a libertação das ex-colónias. Numa relação com a contemporaneidade e com o seu mais recente projecto RAPortugal 1986-1999, Soraia Simões chama a atenção para as afinidades entre estes autores e os primeiros protagonistas do Rap em Portugal — General D e Chullage.

Soraia Simões nasceu em Coimbra, em 1976. Radicou-se em Lisboa em 2008. É Pós-Graduada em Estudos de Música Popular e Mestranda em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, encontrando-se a desenvolver a sua tese sobre o impacto social e cultural estabelecido pela prática do «rap» e pela «cultura hip-hop» entre os anos de 1986 e 1996 no país. Investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH/UNL), é autora do Projecto de Arquivo e Documentação «Mural Sonoro». Escreveu, em vários órgãos e edições, textos diversos na área musical, sendo autora do livro Passado—Presente. Uma Viagem ao Universo de Paulo de Carvalho (Lisboa: Chiado Editora, 2012) e RAPublicar – a «micro – história» que fez história numa Lisboa adiada: 1986 – 1996 (Lisboa: Caleidoscópio, 2017). Recebeu o Prémio Megafone da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2014 na Categoria Missão, coordenando, actualmente, o projecto «RAPortugal 1986 – 1999», financiado pela Direcção-Geral de Artes. O seu estudo e trabalhos incidem na cultura popular e movimentos transnacionais, nas práticas musicais em contextos migratórios e de revolução política ou ideológica e nos arquivos digitais sonoros. É a consultora musical do projecto que faz parte dos conteúdos especiais da RTP Extrema-Esquerda: Porque não Fizemos a Revolução? e Coordenadora geral e de investigação no projecto RAPortugal: 1986 – 1999 (projecto financiado em 2015 pela Direcção Geral das Artes).

É autora do programa Conversa ao Correr das Músicas, programa de História da Música, que conta também com a sua apresentação e estreia em Maio de 2017 numa primeira série de 13 episódios.

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